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Luciana Moterani
Ouvir e interpretar seus clientes

A Coluna Alfredo Júnior traz um super bate papo com a arquiteta mineira Luciana Moterani, considerada uma das profissionais mais requisitadas da atualidade deste movimentado ramo.

Ela é uma mulher extremamente dedicada e traz consigo uma bagagem profissional surpreendente, o que pode ser comprovado através dos seus projetos, que possuem características que só revelam seu preparo em lidar com a arquitetura e seus inovadores recursos.

Disposição e confiança na hora de por em prática seus exuberantes projetos é o que não falta na carreira de Luciana, uma pessoa que além de ser inteligentísssima, ganha o carinho de todos por ser simpática e de bem com vida. Seria este o segredo do seu sucesso? Confira nosso bate papo:

Onde você busca inspirações para realizar seus projetos?
Ouvindo! Ouvir não é simplesmente ficar conversando, é também interpretar e considerar todas as pessoas que estarão incluídas na parte finalizada do projeto, como as famílias, comunidades ou instituições. Esta é a função do arquiteto! É daí que retiro toda minha inspiração, unindo necessidades básicas das pessoas somadas com minha criatividade.

Quais as principais características de suas obras?
Trabalho muito com jogo de telhados (altos e baixos), sala de estar com pé-direito duplo sem laje e com forro de madeira, degraus internos (acompanhando o declive ou aclive do terreno), linhas retas e suaves, vidro (transparência) e integração de ambientes com paisagismo.

O que você fala dos suntuosos e sofisticados edifícios de Dubai? Acredita que o Brasil ainda terá edifícios daquele porte?
São grandes exemplos de tecnologia, sofisticação e riqueza. Os famosos arranha-céus em Dubai, um dos sete Emirados Árabes Unidos, são construções que desafiam a engenharia com suas mega-estruturas. Desde 1999 e especialmente após 2005, Dubai tem passado por um verdadeiro boom na construção e sendo referência para o mundo. Palavras chave os definem como “mais”, “melhor” e “maior”. Os hotéis mais luxuosos do mundo, o Burj al Arab e o Atlantis, a maior torre do mundo, a Burj Dubai, que está para ficar pronta sem revelar qual será sua altura final, as mais extraordinárias e maiores ilhas artificiais do mundo, ruas limpas e impecáveis estão onde? Dubai! Sinônimo de cultura, respeito, riqueza e tecnologia.

Como dinheiro não é problema em Dubai – ali a renda per capita é de R$ 64 mil, contra menos de R$ 10 mil no Brasil –, por este motivo não faltam idéias mirabolantes. Provavelmente nosso país chegará a ter edifícios de grande porte e luxuosos, mas para isto, precisará de tempo para desenvolver a nova tecnologia e aumentar sua renda per capita.

O que você faz quando o cliente não deixa você realizar seu trabalho e acaba dando palpites fora de hora?
O cliente e arquiteto são os responsáveis pela realização do projeto. O cliente entra com o sonho e o arquiteto com suas idéias, resultando em um projeto bem planejado. A parceria é muito importante para o desenvolvimento satisfatório para ambos. Por este motivo, todas as sugestões que recebo são bem vindas e analisadas com carinho. Para convencer o cliente, apresento croquis e projeto em 3D para melhor visualização das minhas propostas arquitetônicas.

Já teve que realizar algum projeto contra sua vontade para agradar o cliente?
Todos os meus projetos são personalizados, exclusivos para cada cliente. E como eu respiro arquitetura, faço-os com muito amor e dedicação. Elaboro projetos que me realizem profissionalmente. Não faria um projeto “contra” minha concepção e meu conhecimento da arquitetura.

Como você avalia a atuação dos arquitetos mineiros?
Os arquitetos mineiros vêm se destacando e ganhando espaço pela intimidade com o aço em suas estruturas, vencendo grandes vãos e permitindo “brincar” com as formas. O famoso edifício “Rainha da Sucata”, localizada na Praça da Liberdade em Belo Horizonte, possui um estilo pós-moderno. Com autoria dos arquitetos mineiros Éolo Maia e Sylvio de Podestá, o edifício foi inaugurado em 1990 propondo um diálogo crítico com os demais edifícios da praça. Também pode-se falar de uma "semelhança" conceitual entre as estruturas em madeira de nossa tradicional arquitetura colonial, onde os pilares e as vigas funcionam com elementos estruturadores independentes; e das possibilidades da arquitetura feita em aço.

De que forma o arquiteto pode colaborar com o “equilíbrio” do espaço urbano?
As grandes metrópoles são as campeãs e as que mais necessitam de um planejamento urbano sustentável. Esses problemas urbanos e ambientais são decorrentes de adensamentos desordenados, ausência de planejamento, carência de recursos e serviços, deficiência da infra-estrutura e dos espaços construídos, padrões atrasados de gestão, agressões ao meio ambiente, dentre outros. O arquiteto é o responsável justamente para evitar que este caos aconteça. Somente com a parceria e apoio dos órgãos públicos e privados (prefeitura municipal e investidores), um projeto urbanístico bem elaborado consegue harmonizar os espaços públicos, reunindo praticidade, funcionalidade e conforto na qualidade de vida.

Fonte: Jornal Sul de Minas

 
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