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| Maria Cecília B. Gorski Projetos que vão além do prêt-à-porter. Assim podem ser definidas as obras de Maria Cecília Barbieri Gorski que atua como arquiteta paisagista desde 1977 e é sócia da Barbieri e Gorski Arquitetos Associados. A Barbieri & Gorski nasceu da união da experiência profissional de dois escritórios de projetos conduzidos pelos titulares desde 1981 e cujam atividades permitiram a formação de um currículum diversificado de trabalhos e projetos especiais. Um escritório teve sua origem na Arquitetura e Planejamento Urbano e outro trouxe as experiências em Paisagismo, Parques e Projetos Ambientais. A empresa vem se dedicando mais especificamente à arquitetura e arquitetura paisagística voltadas para o lazer desde 1988, constituindo-se hoje num dos únicos escritórios com especialização nesta área. A fusão se deu em 1988 para a realização de projetos de Parques Temáticos (Parques da Mônica, Parque do Chico Bento) e outras atividades ligadas ao lazer e recreação (Pousadas, Clubes, Playgrounds, Parques Públicos, etc). Projetos que envolvem a utilização da pedra sempre interessaram à arquiteta, que faz questão de ressaltar que o Brasil tem muitas vantagens sobre os demais países, pricipalmente pela grande variedade deste material. “Não precisamos ficar presos à utilização do granito; temos outras opções mais acessíveis como, por exemplo, a miracema, que dão um resultado bastante satisfatório. Se ela for bem aplicada e com cortes variados, a obra ganha em termos de valorização. O mesmo acontece com o mosaico português e também com outras pedras. Às vezes, opto pelos pisos intertravados, a fim de solucionar questões de drenagem. Mas a grande vantagem da pedra, na minha opinião, é a maneira como ela envelhece. Daqui há 20 anos ela está lá e não perde a qualidade. A pedra é um material que envelhece com dignidade e, quando oxida com o tempo, ainda consegue manter as características de cor e de textura. Se fizermos uma comparação com o piso estampado, que é uma tentativa de concorrer com a pedra, fica evidente a supremacia da pedra em relação aos outros materiais.” Os trabalhos da arquiteta paisagista têm como traço marcante uma forte influência oriental. Ciça, como é mais conhecida profissionalmente, explica que os orientais têm uma linguagem toda peculiar de trabalhar a pedra. “Sempre fiquei muito atenta à maneira como eles empilham a pedra e tiram partido da textura. Logicamente que este olhar, é uma referência, porque, na verdade, as nossas pedras são diferentes, o corte é diferente, o tamanho da pedra é outro, bem como o preço do material. E conhecemos bem as limitações de custo. No Brasil, temos vários profissionais que sabem valorizar a pedra adequadamente como a Rosa Kliass, o Roberto Cardoso e o Luciano Fiaschi, que possuem projetos que apresentam soluções tanto estéticas como funcionais e que usam a pedra de um jeito muito especial.” Ciça Gorski tem como preocupação premente o assentamento adequado da pedra em seus projetos. “De nada adianta um excelente projeto, mal executado. Se você contrata um profissional que assenta mal, ele arrasa com o projeto. Nossa grande preocupação aqui no escritório é com a qualidade e fazemos questão de trabalhar com profissionais especializados. Sempre que podemos, indicamos marmorarias da nossa confiança para garantir a qualidade da obra. Quando o cliente indica o fornecedor, às vezes interferimos nesse processo, no sentido de ir à obra, e na fiscalização pedir para mudar. É comum também, o cliente comprar uma pedra e o fornecedor entregar outra, principalmente porque o consumidor não sabe identificar os materiais. Portanto, sempre que ocorre esse ‘equívoco’, fazemos questão de que seja observado o detalhamento do projeto.” “O modismo perecível é cansativo e acaba sendo repetitivo. Acaba levando a uma copiação geral, e na verdade, a busca da pessoa que está criando tem que ser uma busca da origina- lidade. Quando se trabalha com criação se tem a obrigação de oferecer algo mais ao cliente do que simplesmente o que se pode comprar num prêt-à-porter” Falando sobre a importância do arquiteto paisagista dentro de um projeto, Ciça ressalta que tudo depende da escala. “Se pensarmos na escala do lote na cidade, isto vai incluir residências, edifícios residenciais, edifícios comerciais e edificações comerciais de pequeno porte. Quando começamos a trabalhar de forma integrada, ou seja, desde o início do projeto juntamente com o arquiteto, na implantação, na definição do entorno, no posicionamento do edifício dentro do lote, o ganho é muito grande, pois começamos a dialogar desde o início. Mas se somos chamados para trabalhar no final do processo, o poder de decisão é bem menor e temos menos potencial a explorar. Felizmente este conceito está mudando e quando trabalhamos com construtoras em edifícios residenciais e comerciais, somos incluídos na equipe desde o primeiro momento. Isto é um ganho muito grande tanto para nós como para o empreendedor, pois ele otimiza todas as potencialidades do projeto. Na minha opinião, é fundamental que esta parceria se estabeleça desde o momento da concepção do projeto.” Falar em tendência quando se trata de arquitetura e decoração é sempre delicado, explica a paisagista, uma vez que se pode cair no modismo perecível. Ao contrário do que ocorre na moda, que a cada ano se renova, quando se trata de um empreendimento o investimento é sempre muito alto para ser descartado. “As tendências devem ser condicionadas por algumas condicionantes de mercado, como por exemplo, com o que é viável de se trabalhar em determinado momento, o que o mercado está oferecendo em termos de materiais e mão-de-obra e de racionalização de um processo. O modismo perecível é cansativo e acaba sendo repetitivo. Acaba levando a uma copiação geral, e na verdade, a busca da pessoa que está criando tem que ser uma busca de originalidade consequente e dentro de uma linguagem que acaba refletindo o universo de um país. Quando se trabalha com criação tem-se a obrigação de oferecer algo mais ao cliente do que simplesmente o que se pode comprar num prêt-à-porter. Tem-se a obrigação de buscar soluções originais.” Ciça chama a atenção para as diferenças de postura entre os edifícios comerciais e as residências. Enquanto na residência o contato com o cliente é mais minucioso, em um edifício residencial onde se tem um empreendedor, existe a preocupação de uniformizar e padronizar certas soluções que vão implicar, para a construtora, numa facilidade de execução. “Desta forma é possível reforçar a identidade do edifício que está sendo construído, repetindo algumas soluções e tipos de linguagem para até atestar a identidade da construtora.” “Temos que incentivar o uso de vegetação autóctone nas diversas unidades de conservação de paisagismo brasileira, a exemplo do que foi feito pelo Roberto Burle Marx, que trabalhou esse aspecto de maneira consequente e descobrindo novos empregos de vegetação, e ao mesmo tempo, com uma qualidade artística incomparável” A arquitetura paisagística busca a valorização do meio ambiente, a preservação da natureza e a qualidade de vida. Este mix, que ainda é constituído de outros elementos, é a meta que os profissionais da arquitetura paisagística perseguem a cada projeto. “A questão dos pisos drenantes numa situação onde se está sujeito à inundações, enchentes de verão e às questões do lençol freático, deve ser uma solução considerada, até mesmo porque já é uma obrigatoriedade imposta pela prefeitura. Existe também a preocupação de se plantar, no sentido de se absorver o calor, propiciar sombra e dar uma qualidade ambiental para o usuário. Além disso, o profissional deve preocupar-se em não agredir o meio ambiente e com o uso conseqüente dos materiais.” O arquiteto paisagista é muito mais do que um “simples fazedor de jardins”. Se pensarmos em um lote, podemos definí-lo como o profissional das áreas externas. Mas se partirmos para escalas maiores como praças, planejamento urbano e planejamento de bacias hidrográficas o enfoque é completamente diferente. “Eu diria que a vegetação é um dos elementos que compõem o projeto paisagístico, contribuindo para proporcionar uma série de sensações como sombreamento e diminuição de temperatura. Se pensarmos em termos de arborização urbana, ela ajuda a compor um ambiente, definindo espaços, fechando áreas de circulação e identificando o final de uma praça.” Em relação às inovações tecnológicas na arquitetura paisagística, Ciça aponta algumas como as mantas drenantes que isolam a pedra da terra impedindo que as raízes penetrem; a argila expandida; tipos de solos aos quais se agregam alguns minerais que dão mais leveza ao solo, mais percolação para a água e mais oxigenação para as raízes; padrões de irrigação com temporizador e detector de umidade; os pisos elevados que conseguem nivelar o jardim e o piso numa laje; luminárias enterradas que são vedadas; inovações na área de fontes e iluminação subaquática; e a fibra ótica como recurso de iluminação. “Tudo isso são ganhos que tivemos e que facilitam e potencializam o nosso trabalho.” Ciça ressalta ainda que um projeto de arquitetura paisagística bem-sucedido tem que atender às questões técnicas de infra-estrutura de drenagem, irrigação e iluminação, atendendo também às necessidades do usuário. Ele tem que dialogar com a arquitetura em torno da qual está se colocando ou dialogar com o ambiente urbano no qual ele está sendo inserido. “A questão da relação com o entorno é fundamental. Deve ser observado se em torno dele tem ou não árvores, se o visual é agressivo ou não, uma vez que o entorno está sempre muito presente no projeto de paisagismo. Em relação ao meio ambiente um projeto deve preocupar-se com questões de proteção de nascente, drenagens, impermeabilidade de solo, diminuição de temperatura, usando uma vegetação que absorva calor, e no manejo de bosques ou áreas de vegetação nativa. Na minha opinião, temos que incentivar o uso de vegetação autóctone nas diversas unidades de conservação de paisagismo brasileira, a exemplo do que foi feito pelo Roberto Burle Marx, que trabalhou esse aspecto de maneira conseqüente e descobrindo novos empregos de vegetação, e ao mesmo tempo, com uma qualidade artística incomparável.” Para Ciça Gorski, o emprego das rochas ornamentais pode ser observado até com uma certa identidade e peculiaridade quando se viaja pelo Brasil. É o caso do uso do basalto em regiões que têm terra roxa, da ardósia na região de Minas Gerais, da pedra rosa na região da Amazônia que acaba conferindo às calçadas de Manaus um caráter muito peculiar e as pedras de Pirinópolis usadas na construção de casas e muros e na confecção de pisos variados. Maria Cecília Barbieri Gorski Rua Fernão Dias, 186 CEP. 05427-000 São Paulo – SP Fone/Fax: (11) 3034-1184 E-mail: bgorski@terra.com.br |
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